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Second hand na moda: o que é e como investir?

Second hand na moda: o que é e como investir?

arara com roupas second hand

O termo second hand, cunhado nos Estados Unidos com tradução direta “segunda mão”, explora a revenda e curadoria de roupas usadas e seminovas. Com a preocupação ambiental crescente, fortalecida pela pandemia do coronavírus, a prática se tornou não apenas tendência, mas uma posição política frente ao impacto da indústria da moda no planeta.

Quer entender mais sobre o assunto, a relevância dele e como investir nessa tendência? Continue a leitura!

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Afinal, o que é second hand?

A moda second hand consiste em vender roupas usadas ou seminovas por meio de uma curadoria que engloba faixas de preço, estilo e alinhamento à identidade da marca. Trata-se de criar e ressignificar peças selecionadas com afetividade, a fim de promover uma moda sustentável e que faça sentido para o público-alvo.

O mercado de segunda mão ganhou bastante visibilidade no Brasil por conta dos brechós, tanto físicos quanto online. Isso porque o second hand expressa, além de uma posição frente às questões ambientais, o resgate de uma estética vintage – que está em alta -, com a venda de peças produzidas nos anos 1960, 1970 e outras décadas. 

Ou seja, o consumidor não está apenas adquirindo uma roupa vintage, mas alimentando toda uma cadeia que, além de esteticamente nostálgica, promove a economia circular, valoriza a localidade, preserva o meio ambiente e incentiva um consumo mais consciente.

Vantagens do second hand

Quando falamos em second hand e brechós, uma das maiores vantagens é a faixa de preço. Por se tratar de revenda de produtos usados, os valores são bem menores, mesmo em artigos de luxo. Essa acessibilidade é um ponto bastante interessante, principalmente no contexto da pandemia, que gerou grandes prejuízos financeiros à população.

Outra vantagem do second hand é a valorização dos mercados locais e de micro empreendedores. Donos de brechós dificilmente possuirão uma marca milionária, com estoques inacabáveis e alto fluxo de caixa, pois também investem na curadoria de peças de forma sustentável e consciente.

feira com roupas second hand
O comércio de peças de segunda mão, além de sustentável, valoriza comerciantes locais. | Crédito editorial: Ron Ellis/Shutterstock.com

Mesmo em modalidades como o second hand online, ao comprar uma peça de brechó, o consumidor valoriza produções pequenas. E esse processo gera maior proximidade entre marca e cliente, fidelizando-os. Até porque, para aqueles que já são adeptos ao mercado de segunda mão, optar por peças de marcas multinacionais dificilmente será o caso.

Por fim, o significado de second hand está intimamente ligado à ideia de consumo consciente. O projeto Pegada Hídrica Vicunha, realizado pela Vicunha em parceria com o Movimento ECOERA, fez um levantamento sobre o consumo de água na produção de uma única calça jeans. O resultado? São gastos 5.196 litros por peça.

infográfico sobre quantidade de água utilizada na produção de calças
Consumo de água na produção de uma única calça jeans, considerando toda a cadeia produtiva. | Imagem: Reprodução/Pegada Hídrica Vicunha

Quando expandimos panoramas como esse para toda a indústria têxtil, os números são ainda mais alarmantes. Segundo o relatório Make Fashion Circular, da Ellen Macarthur Foundation, o equivalente a um caminhão de lixo cheio de roupas é queimado ou enterrado em aterros a cada segundo. Isso sem contar outros impactos do setor, como a degradação do solo em cultivos de matérias-primas por conta dos uso de pesticidas e fertilizantes químicos.

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Ou seja, consumir apenas novos produtos também é uma forma de colaborar negativamente com o impacto ambiental da indústria têxtil. Do contrário, ao comprar peças de segunda mão, você investe em uma cadeia muito mais sustentável e que preserva o meio ambiente.

Second hand e tendências do setor

A WGSN – Worth Global Style Network, especializada em previsões do setor – lançou o Consumidor do Futuro 2023, material onde aborda as principais estratégias para cativar e fidelizar os novos consumidores. Os perfis citados pela empresa foram: os Antecipadores, os Novos Românticos, os Inconformados e os Condutores.

Para perfis como os Novos Românticos, que desejam uma reconexão emocional pautada em coletividade, o second hand faz muito sentido. Isso porque, quando consideramos todo o processo, desde a curadoria, estilização, etiquetagem até a venda da peça, a afetividade é muito presente.

E, como mencionado anteriormente, o consumo em brechós alimenta o mercado regional, o que também é muito positivo para esse tipo de consumidor.

Para os Inconformados, indignados com a situação do mundo frente a pandemia, processos éticos, transparentes e ecologicamente corretos também são chave. E como o comércio de segunda mão está intimamente atrelado à preocupação ambiental, a tendência tem tudo para agradar esse público.

ilustração de cesto com símbolo da reciclagem
Os novos perfis de consumidores buscam conexões verdadeiras e práticas sustentáveis, diante da situação mundial vigente.

Para além dos perfis mencionados, a pandemia do coronavírus gerou uma preocupação generalizada com o futuro do planeta. Imagens como os Canais de Veneza límpidos, por conta da ausência de turistas e barcos, foram grandes marcos que suscitaram a discussão sobre o impacto humano na natureza.

Nesse sentido, movimentos como a economia circular, o slow fashion e a moda second hand são grandes apostas para todo esse público preocupado e engajado. 

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Mulher vestindo conjunto de top e saia na cor preta, fabricado com os tecidos da Digitale Têxtil.

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Como investir?

Se você deseja investir na moda second hand, antes de mais nada é preciso entendê-la como um empreendimento. Dessa forma, você pode garantir uma nova fonte de renda, que também é ecologicamente correta.

Portanto, comece com o planejamento! Você quer trabalhar com peças de luxo usadas ou ter um brechó bem mais acessível? Vai investir em um tipo de peça – camisas e blazers, por exemplo – ou trabalhar com uma curadoria mais ampla? Tomar todas essas decisões será essencial para criar a identidade do seu negócio.

Com tudo decidido, chega o momento da curadoria de peças. Atualmente, é possível garimpar online, trabalhar com consignações ou mesmo comprar estoques parados de indústrias têxteis.

Para criar uma loja, a situação pandêmica fez com que muitos optassem pelos brechós online, para evitar o contato físico no momento da compra. Além disso, iniciativas em redes sociais como o Instagram se tornaram bastante populares.

Na divulgação de sua marca, explore a comunicação transparente e explicite o comprometimento da moda second hand com um mundo mais sustentável. Conteúdos sobre impacto ambiental da indústria têxtil é uma ótima opção de tema para reter usuários, suscitar discussões e gerar engajamento.

pessoa digitando no computador ao lado de roupas second hand
Para além da curadoria de peças, planejamento e estratégias assertivas de comunicação são essenciais para um brechó de sucesso.

Diante de uma população mais consciente e preocupada com os impactos ambientais da indústria da moda, o second hand só tende a crescer. A criação de brechós, além de fonte de renda para pessoas que se viram em situações difíceis na pandemia, nos mostra como é possível vender e consumir produtos de forma responsável e com qualidade.

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