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Moda LGBT: as influências do movimento na história

Moda LGBT: as influências do movimento na história

Camisetas das cores do arco-íris sendo seguradas como homenagem à moda LGBT.

Em junho, comemoramos mundialmente o mês do orgulho LGBTQIA+ como um convite para celebrar a diversidade e pensar de que forma o grupo influencia questões como a arte, a moda LGBT, e o próprio comportamento humano

É sabido que, no Brasil, uma morte por homofobia é registrada a cada vinte e três horas. Justamente por isso, falar sobre esse grupo e a importância dele para o mundo é de extrema importância. 

Quando falamos em orgulho LGBT, é preciso nos atentarmos, para além do preconceito, à contribuição que o movimento traz para os estudos culturais, o que influencia, em cadeia, no mundo da moda e da arte. Confira como isso acontece e, ao final, conte com indicações de filmes e séries para se inspirar!

Influências do movimento LGBTQIA+ na arte

Quando falamos em expressões artísticas, o movimento LGBTQIA+ foi propulsor da teoria queer, uma das áreas de estudos da arte marginalizada. Ela dialoga com questões sobre a acepção de gênero, identidade sexual e os desdobramentos sociais que esses assuntos geram.

Além dos estudos culturais, a teoria queer também é muito estudada na sociologia, na psicologia, na antropologia, na educação, na filosofia e nas artes. Dessa forma, filmes, séries, músicas e muito mais são influenciados e desenvolvidos tendo como foco o movimento LGBTQIA+.

Clique e acesse o Pinterest da Digitale Têxtil para se inspirar.

Mais que influências, muitas tendências e sucessos foram impulsionados pelos gays. São exemplos artistas como Madonna, RuPaul, Lady Gaga, e outros associados à cultura pop – a qual é consumida, em sua maioria, por esse público.

A ideia de representar essas minorias, propondo discussões e reflexões sobre elas que, na correria cotidiana, podem passar despercebidas, está se intensificando. Cada vez mais, conteúdos são produzidos com base no movimento LGBTQIA+ e na teoria queer – o que é ótimo para o mundo e, também, para a moda!

Como o movimento afetou a indústria da moda

Desfile de moda LGBT acontecendo na passarela.
Em termos de moda e de tendências, o movimento LGBTQIA+ influencia coleções no mundo todo durante a história.

Uma coisa é certa quando falamos de moda: o que influencia a arte irá, também, impactá-la. Conforme o movimento LGBTQIA+ ganhava espaço no cinema, na televisão e na arte como um todo, começou, também, a apoderar-se do mundo fashion.

Com a cada vez mais frequente representação do grupo, estilistas e marcas engajadas com questões sociais começaram a demonstrar apoio à comunidade LGBTQIA+. 

A relação de homossexuais, bissexuais e transexuais com a moda é bastante frequente e íntima. Logo, é recíproca a energia de troca, já que, muitas vezes, o público LGBTQIA+ vai cobrar um rompimento de paradigmas que as passarelas têm prazer em atender.

André do Val, consultor de moda masculina LGBT, ressalta como, desde antes da teoria queer existir, o público gay já cobrava, do mundo fashion, tendências e novidades em questões de experimentação e resistência. 

Ele também ressalta como o disco, o voguing, a revolução sexual do mundo da moda – encabeçada, nos anos 80, por Madonna – e, mais recentemente, a cultura drag tiveram e têm sua era de ouro impulsionados pelo meio LGBTQIA+.

Com a democratização do universo fashion, que cada vez mais tira das ruas inspirações para as passarelas, marcas começam a apostar na coleção pride como forma de mostrar o apoio à comunidade. Outras, por sua vez, são desenvolvidas completamente para esse público – como é o caso da Nun, da Logay e da The Pride.

A moda sem gênero também surge como resultado das questões sobre gênero e sociedade propostas pela teoria queer. Pochetes, coleções com glitter e o retorno das estampas florais e dos shorts em microfibra são mais alguns exemplos de tendências que começaram no meio LGBTQIA+ e ganharam força em toda a sociedade.

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A relação entre moda e comunidade LGBTQIA+ é bastante próxima. Muitas vezes, este grupo vai ter insights importantes sobre o futuro e sobre o que vai fazer sucesso nas passarelas. 

Justamente por isso, acompanhar marcas com cunho LGBTQIA+, designers e estilistas gays, além de conferir o que está chamando a atenção do público, pode ajudar na hora de ter ideias e reunir inspirações

Separamos alguns estilistas, filmes e séries sobre a temática para você ficar de olho. Confira!

Estilistas e marcas que criam moda LGBT

Seja para se inspirar, para ficar de olho nas apostas ou para conferir as tendências, é sempre bom ter uma lista com nomes de estilistas e designers para acompanhar nas redes sociais

Estes profissionais e marcas fazem parte ou apoiam o movimento LGBTQIA+ e podem te ajudar a ficar por dentro do que vem por aí em questões de moda LGBT.

1. Giorgio Armani

Um estilista gay com uma marca que já se tornou um império. A Armani tem seguidores no mundo todo e entrega, em todos os desfiles e coleções, alta-costura. O diretor da marca valida coleção por coleção, garantindo sempre um trabalho impecável.

2. Erdem Moralioglu

Sala da exposição Camp: Notes of Fashion, em homenagem à moda LGBT.
Uma das salas do Camp: Notes of Fashion, evento que reuniu membros da comunidade LBTQIA+ como apresentadores.

Erdem Moralioglu é o nome da marca e do estilista mundialmente conhecidos por desfiles e coleções que questionam o conceito de gênero e de moda. 

Por ser gay, o apoio do profissional ao movimento é grandioso, participando de eventos como o Camp: Notes of Fashion (realizado em maio de 2019), que reuniu, principalmente, membros da comunidade LGBTQIA+. 

3. Givenchy

A marca francesa criada por Hubert de Givenchy tem se tornado cada vez mais conhecida por questionar questões de gênero e criar peças bastante andrógenas. 

Pouco se sabe sobre a sexualidade de Hubert, mas, com certeza, sua marca está auxiliando e influenciando o caminho percorrido pela moda LGBT.

4. Dudu Bertholini

Dudu é um estilista, comunicador e designer de moda brasileiro extremamente renomado, que já trabalhou para marcas como Colcci e Triton, além do serviço editorial nas revistas Vogue e Elle.

Parte da comunidade LGBTQIA+, o designer aponta, como fonte de inspiração para seu trabalho, as novas coleções da Gucci, que vem questionando, assim como ele, as questões de gênero e o que é bom e mau gosto na moda.

5. Jeremy Scott

O estilista que atualmente desenha roupas para a Moschino se assumiu gay aos catorze anos de idade. No seu Instagram pessoal, é possível conferir suas criações, as estampas que ele tem apostado e a forma como ele enxerga o futuro da moda.

Filmes e séries LGBTQIA+ para se inspirar

Podemos entender, portanto, que o movimento LGBTQIA+ tornou possível a criação de filmes, de séries, de músicas, de movimentos da moda e muito mais. Se você está procurando um conteúdo para adquirir inspirações e conhecer mais sobre a arte queer, dê uma olha nessas indicações!

1. RuPaul’s Drag Race

RuPaul's Drag Race: elenco da 12ª temporada dessa série que influencia a moda LGBT.
Participantes da 12º temporada de RuPaul’s Drag Race, estreada em 2020. Foto: Divulgação | VH1

O programa criado por RuPaul em 2009 e exibido até hoje reúne, anualmente, drag queens para competirem pelo título de America’s Next Drag Superstar. Cada episódio tem um desafio para que as queens explorem seus talentos de atuação, canto, improviso, maquiagem e, claro, moda.

Atualmente, diversos estilistas usam RuPaul como fonte de inspiração. Muitas participantes apresentam um conhecimento de moda futurista, que cria tendências e influencia toda a sociedade.

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Drag queens como Sasha Velour, Violet Chachki e a própria RuPaul criaram, com o passar dos anos, uma reputação significativa no mundo fashion

2. RuPaul’s Drag Race All Stars

Viu Rupaul’s e se apaixonou pelos figurinos? Se você quer mais referências do mundo drag, o All Stars é uma excelente opção.

A ideia é praticamente a mesma do Drag Rage, no entanto, nesse spin-off, as drags de temporadas antigas retornam para concorrer novamente pela coroa. Os desafios são mais difíceis e elaborados, afinal, agora elas já sabem o que é ser uma estrela!

3. Pose

Ambientada no final da década de 80, a série Pose conta a história de um dançarino e de uma prostituta que são acolhidos por Blanca, uma frequentadora de bailes LGBT.

O roteiro é extremamente emocionante, e os figurinos de Lou Eyrich estão conquistando fãs. As roupas são incríveis, e o mais interessante é que a maioria foi garimpada em brechós.

Para quem quer inspirações e looks retrôs, a série é uma ótima escolha. É também um belo convite para conhecer a realidade do movimento LGBTQIA+.

4. Carol

Este filme retrata o romance entre duas melhores amigas nos anos de 1950. O figurino, assinado por Sandy Powell, é detalhado e nos leva a pensar como a teoria das cores influencia nas peças e na retratação das personagens.

É uma ótima oportunidade para se conectar com a moda dos anos 50 e entender  como era retratado um casal de mulheres no passado.

5. Paris is Burning

Cena de Paris is Burning, um filme sobre moda LGBT que inspira até hoje.
Um dos looks mais memoráveis de Paris is Burning, filme que se tornou referência quando o assunto é moda e cinema.

Este é um dos filmes que mais influenciou a moda, transgredindo e rompendo barreiras da época em que foi produzido – precisamente, 1990. 

O documentário dirigido por Jennie Livingston retrata o cenário de um homem gay e negro vivendo na periferia. Ele coloca, na tela, os mesmos bailes de Pose, conhecidos como balls, nos quais concursos de moda eram travados.

Looks icônicos e que ficaram para sempre na história da moda e do cinema foram criados em Paris is Burning. É uma ótima pedida para buscar inspiração e se lembrar como a moda é sobre romper conceitos.

Clique para baixar os moldes de 3 peças femininas para confeccionar.

A moda LGBT é uma prova de como os movimentos culturais e sociais influenciam a forma como nos vestimos e nos comportamos. Além do movimento queer, as mulheres, os negros e outros grupos marginalizados influenciaram e reinventaram a relação das pessoas com o que elas vestem.

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